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Confiança em vacinas contra sarampo nos EUA recua, aponta pesquisa Reuters/Ipsos

Uma pesquisa Reuters/Ipsos mostra que a confiança dos norte-americanos na segurança da vacina contra sarampo, caxumba e rubéola caiu de 84% em maio de 2020 para 76% atualmente. A diminuição foi mais marcante entre republicanos, enquanto surtos ativos em vários estados elevaram o número de casos para mais de 3.000 no ano — o maior total em 35 anos.

September 15, 2026 at 02:49 PM
Confiança em vacinas contra sarampo nos EUA recua, aponta pesquisa Reuters/Ipsos
Uma nova pesquisa Reuters/Ipsos indica queda na confiança dos norte-americanos nas vacinas infantis contra doenças potencialmente fatais, como o sarampo. Embora a maioria da população continue a apoiar a vacinação de crianças, os dados refletem uma erosão de segurança em relação a imunizações que, por décadas, eliminaram a circulação endêmica do vírus nos Estados Unidos. Segundo o levantamento, realizado ao longo de quatro dias e concluído na segunda-feira, 76% dos entrevistados disseram acreditar que as vacinas contra sarampo, caxumba e rubéola são seguras para crianças. Esse percentual representa queda em relação aos 84% registrados em uma pesquisa Reuters/Ipsos de maio de 2020. A perda de confiança se mostrou mais acentuada entre eleitores republicanos, observou o estudo. O recuo na confiança ocorre enquanto o país enfrenta o pior surto de sarampo em 35 anos. Foram confirmados mais de 3.000 casos neste ano, com surtos ativos em estados como Pensilvânia, Utah e Carolina do Sul. A Pensilvânia anunciou três mortes relacionadas ao sarampo nas últimas semanas. O sarampo é altamente contagioso e pode provocar febre, erupção cutânea e complicações respiratórias. A doença é, entretanto, amplamente evitável por meio da vacina combinada contra sarampo, caxumba e rubéola — conhecida em inglês pela sigla MMR e frequentemente chamada de vacina tríplice. A vacina tem eficácia de 97% na prevenção da infecção após duas doses e é aplicada rotineiramente entre 12 e 15 meses de idade, com uma segunda dose entre 4 e 6 anos. Dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) apontam que a cobertura média vacinal entre crianças no jardim de infância caiu para 92,5% no ano passado, abaixo do limiar de 95% considerado necessário por especialistas para atingir a imunidade coletiva — nível que ajuda a proteger pessoas que não podem ser vacinadas por motivos médicos. Além do cenário epidemiológico, o levantamento também captou reação pública à gestão federal do surto. Apenas 19% dos entrevistados aprovaram a forma como o presidente Donald Trump tem lidado com o surto de sarampo, contra 52% que desaprovaram; os demais não opinaram ou não responderam. No plano de políticas, o texto da pesquisa relembra medidas recentes da administração federal: em agosto, o presidente Donald Trump assinou um decreto que reduz o número de imunizações do calendário federal infantil de 17 para 11. Robert F. Kennedy Jr. — listado no levantamento como o principal responsável pela área de saúde da presidência — foi descrito como ativista antivacina de longa data antes de sua nomeação como secretário de Saúde. Na nova função, segundo o relatório, ele busca reformular a política de vacinação do país e pressionar por uma diminuição no número de vacinas aplicadas em crianças. A pesquisa Reuters/Ipsos foi realizada online em todo o território norte-americano, com respostas de 1.143 adultos e margem de erro de 3 pontos percentuais. Os resultados chamam atenção para o impacto que a redução da confiança nas vacinas pode ter sobre a cobertura vacinal e a recuperação do controle de doenças que eram consideradas amplamente erradicadas nos EUA por décadas. Especialistas em saúde pública sustentam que manter altas taxas de vacinação é essencial para interromper cadeias de transmissão e evitar novos surtos, especialmente entre populações vulneráveis que não podem ser imunizadas. A reportagem destaca a tensão entre decisões políticas recentes e o desafio de recuperar níveis de confiança que sustentem a proteção coletiva. A pesquisa Reuters/Ipsos serve como termômetro desse clima e como indicador das dificuldades que autoridades sanitárias enfrentam para ampliar a aceitação das vacinas em um momento de ressurgimento do sarampo no país.

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