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Medo crescente nos EUA: parcela significativa acredita que não vai se aposentar

Pesquisas recentes indicam que muitos americanos passaram a acreditar que a aposentadoria pode nunca ocorrer. Dados do WalletHub, NIRS, EBRI e outras fontes apontam inflação, endividamento e insegurança financeira como motivos centrais da preocupação, enquanto benefícios de aposentadoria continuam sendo fator decisivo para trabalhadores.

September 15, 2026 at 02:28 AM
Medo crescente nos EUA: parcela significativa acredita que não vai se aposentar
Uma parcela relevante dos americanos hoje acredita que não terá a oportunidade de se aposentar: 43% dizem esperar trabalhar até morrer, segundo levantamento do WalletHub divulgado no final de agosto. A mesma pesquisa revela que 39% dos entrevistados sentem ansiedade ao pensar na aposentadoria e 29% contam com apoio de familiares quando deixarem de trabalhar. A inquietação com o futuro financeiro não é novidade nos Estados Unidos: pesquisas do Gallup mostram que, desde 2001, a maioria dos americanos aponta a falta de recursos para a aposentadoria como sua principal preocupação financeira, à frente de custos médicos e outras despesas. Mas o atual ciclo de inflação e aumento de preços tem reascendido o temor de que a aposentadoria esteja cada vez mais fora de alcance para muitos. O efeito da inflação tem sido mais visível em itens essenciais. A média nacional do preço de um galão de gasolina comum alcançou US$ 4,27 na semana citada, alta de 13 centavos em sete dias, segundo a AAA. No varejo de alimentos, o preço médio da carne moída atingiu US$ 6,89 por libra em julho, um avanço de 9,4% em 12 meses, conforme o Bureau of Labor Statistics. Relatórios dedicados ao tema associam explicitamente esses aumentos à queda da confiança na aposentadoria. Um estudo do National Institute on Retirement Security (NIRS), divulgado em agosto, constatou que entre os 61% dos americanos preocupados em não alcançar segurança financeira na aposentadoria, 73% apontam a inflação como fator contribuinte; 62% citam a volatilidade dos mercados. Em paralelo, a pesquisa Retirement Confidence Survey 2026 do Employee Benefit Research Institute (EBRI) indicou que a confiança dos trabalhadores em ter recursos suficientes para se aposentar confortavelmente caiu seis pontos, para 61%. A pressão das dívidas agrava o cenário. No relatório do NIRS, 74% dos entrevistados classificaram o endividamento como um problema, e 77% afirmaram que a dívida impede poupanças adequadas para a aposentadoria. O levantamento do WalletHub vai na mesma direção: 53% dos participantes consideram mais importante quitar dívidas do que fazer contribuições para planos de aposentadoria. Esses fatores ajudam a explicar por que quase quatro em cada dez americanos próximos dos 60 anos não têm conta de aposentadoria, conforme reportagens anteriores da Fortune. Ainda assim, os benefícios de aposentadoria continuam sendo valorizados por quem está no mercado de trabalho. Entre os trabalhadores atuais, 75% consideram os benefícios de aposentadoria fatores muito ou extremamente importantes ao avaliar uma proposta de emprego, e 41% relatam que esses benefícios se tornaram mais relevantes no último ano, segundo o NIRS. As percepções individuais refletem um pessimismo mais amplo sobre a viabilidade da aposentadoria nos Estados Unidos. O estudo do NIRS identificou que 80% dos americanos acreditam que o país enfrenta uma crise de aposentadoria — um salto em relação aos 67% registrados em 2020. Em pesquisa do WalletHub, metade dos entrevistados disse que não é realista esperar que o americano médio possa se aposentar com conforto. Autoridades do setor também alertam para o tamanho do problema. A CEO da TIAA, Thasunda Brown Duckett, descreveu o déficit de aposentadoria do país — estimado em US$ 4 trilhões — como “uma crise real”, e advertiu que cerca de 40% dos americanos correm o risco de ficar sem dinheiro na aposentadoria. Nem toda permanência no emprego entre idosos se deve à necessidade financeira. Houve um aumento na participação de trabalhadores com 65 anos ou mais: quase 20% dessa faixa etária está empregada atualmente, quase o dobro da proporção de 35 anos atrás. Para um número crescente, porém, a ideia de trabalhar indefinidamente é fonte de ansiedade, e não de realização. Novos elementos acrescentam complexidade ao debate sobre aposentadoria. O NIRS apurou que 53% dos americanos são contrários a empregadores oferecerem criptomoedas como opção em planos de aposentadoria, e 77% consideram essa alternativa arriscada. A inteligência artificial também gera desconforto: 45% dos entrevistados disseram-se desconfortáveis com o uso de IA na prestação de aconselhamento financeiro, apesar de uma maioria já ter usado a tecnologia. “Os americanos nos dizem que a segurança na aposentadoria está se tornando mais difícil de alcançar enquanto lutam com a acessibilidade da vida cotidiana. Moradia, saúde, dívidas e outras despesas competem com a necessidade de poupar para a aposentadoria”, afirmou Dan Doonan, diretor-executivo do NIRS, no relatório. Ele acrescentou que questões recentes, como IA e criptomoedas, tornam o cenário de aposentadoria ainda mais complexo. Com a combinação de inflação, dívida e incerteza financeira, as pesquisas apontam para uma crescente crença de que a aposentadoria tradicional — onde o trabalhador deixa o emprego ao chegar a uma idade fixa e vive de recursos acumulados — pode estar se tornando menos alcançável para uma fatia expressiva da população americana. A discussão sobre respostas políticas e empresariais a esse desafio segue em aberto, enquanto trabalhadores e especialistas recalculam planos diante de um panorama econômico mais adverso.

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