Em 15 de setembro de 2026, o Ibovespa encerrou o pregão em alta, apoiado principalmente pela valorização das ações da Petrobras e pelo avanço do preço do petróleo no mercado internacional. O índice de referência da bolsa brasileira subiu 0,54%, para 186.502,64 pontos, depois de duas sessões consecutivas em queda. A máxima intradiária chegou a 187.650,53 pontos, enquanto a mínima foi de 185.055,57 pontos. O volume financeiro negociado somou R$22 bilhões.
No exterior, o barril de petróleo Brent registrou alta de 2,9%, negociado a US$108,75, após relatos de suspensão de embarques no porto de Yanbu, na Arábia Saudita, e da interrupção de operações em três campos na Líbia. O movimento do petróleo ajudou a sustentar a alta de petrolíferas listadas na B3.
Em Nova York, porém, os índices fecharam em terreno negativo, com o S&P 500 recuando 0,45% em sessão marcada pelo aumento dos rendimentos dos Treasuries e por preocupações com impactos da inteligência artificial sobre a confiança dos investidores. Parte do sentimento precavido refletiu a expectativa por decisões de política monetária programadas para quarta-feira tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.
No calendário doméstico, a atenção do mercado também estava voltada para uma sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF). O plenário analizou uma petição relacionada a um relatório do ministro André Mendonça que aponta mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, este último preso sob acusações de fraudes e outros crimes. A Corte votou pela unificação dos casos envolvendo os ministros Moraes e Mendonça e pela designação de novo relator.
Analistas consultados pelo mercado destacaram que, embora a alta do petróleo tenha sido o principal motor do desempenho do Ibovespa no dia, a sessão no STF elevou a volatilidade. Willian Queiroz, sócio e advisor da Blue3 Investimentos, apontou que o movimento dos papéis da Petrobras foi o principal “driver” do pregão, enquanto a sessão extraordinária no STF passou a ser o destaque por seu potencial impacto no cenário eleitoral. Marcos Bassani, sócio-fundador da Boa Brasil Capital, avaliou que o julgamento adiciona incerteza política e pode elevar a percepção de risco do país entre investidores domésticos e estrangeiros.
O noticiário político do dia também trouxe pesquisa CNT/MDA sobre um eventual segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). No levantamento divulgado na terça-feira, Lula aparece com 47,3% das intenções de voto, ante 48% na pesquisa anterior, enquanto Flávio soma 40%, ante 39%; a margem de erro é de 2,2 pontos percentuais. Pesquisas eleitorais e a persistente incerteza política continuam entre os fatores que podem influenciar o apetite por risco no mercado.
Dados da B3 mostraram que, no mês, houve a primeira sessão com saldo negativo na participação de investidores estrangeiros em 11 de setembro. Ainda assim, setembro acumula entrada líquida de R$7,3 bilhões até a data reportada, um leve recuo em relação aos R$7,4 bilhões verificados até o dia 10.
Uma pesquisa do Bank of America com gestores sobre a região apontou recuperação do sentimento em setembro: 73% dos participantes acreditam que o Ibovespa estará acima de 180 mil pontos no fim do ano, ante 34% em agosto; 46% disseram que o índice pode alcançar 200 mil pontos ou mais — cenário que nenhum participante apontou no levantamento anterior. Contudo, apenas 30% dos entrevistados afirmaram que aumentariam exposição a ações nos níveis atuais antes das eleições, enquanto os demais prefeririam aguardar correções de preço ou maior definição política.
Destaques de mercado
- AZZA3 (AZZAS 2154 ON) caiu 2,98%, encerrando a R$15,30, após início de mês positivo por anúncio de reorganização societária; no dia 8 atingiu máxima intradiária do mês a R$18,28.
- PETR4 (Petrobras PN) avançou 3,09% e PETR3 (Petrobras ON) ganhou 3,63%, beneficiadas pela alta do petróleo no exterior. PRIO3 subiu 2,77% e BRAV3 teve valorização de 0,9%. PETRORECONCAVO (RECV3), que não integra mais o Ibovespa, fechou estável.
- Entre os bancos, ITUB4 subiu 0,76%, enquanto BBDC4 cedeu 0,71%, SANB11 recuou 0,99%, BBAS3 caiu 0,36% e BPAC11 perdeu 0,46%.
- VALE3 recuou 1,17%, acompanhando a fraqueza do setor de mineração no exterior, refletida no declínio dos futuros do minério de ferro na China.
- No setor de siderurgia e mineração, GGBR4 subiu 3,15%, USIM5 avançou 3,27%, enquanto CSNA3 caiu 2,2% e CMIN3 recuou 0,96%.
O dia foi, portanto, marcado por um cenário de ganhos pontuais impulsionados por commodities e por um ambiente político-judicial que contribuiu para maior volatilidade, em um momento de leitura atenta do mercado antes das decisões de política monetária do Federal Reserve e do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil.