Um relatório da Redfin divulgado em setembro de 2026 mostra que agosto registrou o maior desequilíbrio entre vendedores e compradores de imóveis residenciais nos Estados Unidos desde que a empresa passou a compilar esses dados, em 2013. Segundo a análise, havia 57,9% mais vendedores do que compradores no mercado americano em agosto, um salto em relação aos 52,1% observados em julho.
O fenômeno é alimentado por uma forte expansão do estoque de imóveis anunciados em diversas áreas, sobretudo no Sun Belt — faixa que inclui o Sul e o Sudoeste do país. Em Nashville, por exemplo, havia 139,3% mais vendedores do que compradores em agosto, maior discrepância registrada nas séries históricas da Redfin. Miami (138,3%) e Houston (130,9%) aparecem logo atrás. Outras metrópoles com ao menos o dobro de vendedores em relação a compradores foram Orlando (121,5%), Las Vegas (117,1%), San Antonio (116,3%), Austin (115,0%) e Dallas (107,6%).
No nível nacional, o aumento do desequilíbrio reflete dois movimentos simultâneos: um crescimento expressivo do número de imóveis à venda e uma demanda por compra que praticamente não avançou. Em agosto havia uma estimativa de 1.534.918 vendedores ativos no mercado — o maior contingente desde o início de 2020 —, alta de 3,9% em relação ao mês anterior, a maior variação observada pela Redfin. Já o número estimado de compradores foi de 972.300, alta marginal de 0,1% frente a julho, que havia registrado o menor nível de compradores em série.
A Redfin define "mercado de compradores" quando há mais de 10% a mais de vendedores do que compradores, "mercado de vendedores" quando há mais de 10% a menos de vendedores do que compradores, e "mercado equilibrado" quando a diferença está dentro de um intervalo de ±10%. Quando os vendedores superam os compradores, os compradores tendem a ter maior poder de negociação, porque podem escolher entre mais opções.
A metodologia usada para estimar compradores combina dados proprietários da Redfin sobre o tempo médio entre a primeira visita e o fechamento da compra com informações do MLS (sistema de listagens múltiplas) sobre anúncios ativos e vendas pendentes. Já o número de vendedores corresponde ao total de listagens ativas no MLS. As estimativas são ajustadas sazonalmente e podem ser revisadas; a Redfin disponibiliza metodologia detalhada e um dashboard interativo em seu site.
A forte entrada de ofertas tem explicação parcial em fatores locais. Mercados do Sun Belt, como os do Tennessee, Texas e Flórida, possuem alguns dos canteiros de obras mais ativos do país, com muitas unidades recém-construídas chegando ao mercado mesmo com a demanda desaquecida. Em Miami, questões como aumento dos custos de seguro, elevação de taxas de associação de condomínio (HOA) e riscos climáticos também pressionam compradores locais e ajudam a aumentar o estoque disponível.
Profissionais de campo apontam efeitos práticos dessa dinâmica: em localidades onde os imóveis ficam mais tempo à venda, compradores conseguem avaliar mais opções e negociar preço e condições. A Redfin recomenda que compradores peçam concessões — por exemplo, ajuda com custos de fechamento ou reparos — e não sintam necessidade de fechar rapidamente caso a negociação não seja vantajosa. Para vendedores, a orientação é se destacar: precificar de forma competitiva desde o início, preparar adequadamente o imóvel e estar disposto a negociar.
Apesar do quadro nacional favorável aos compradores, mercados de vendedores persistem em poucas regiões. Dos 50 maiores mercados metropolitanos analisados pela Redfin (com Fort Lauderdale excluído por falta de dados), apenas cinco entraram na categoria de mercados de vendedores em agosto: Nassau County (NY), com 27,6% menos vendedores que compradores; Newark (NJ) -20,7%; Montgomery County (PA) -20,3%; Milwaukee -17,7%; e San Francisco -11,7%. Em geral, esses mercados enfrentam restrições de construção de novas moradias ou forte demanda por estarem próximos a grandes centros de emprego, como é o caso da área metropolitana de Nova York. Em San Francisco, o recente avanço do setor de tecnologia e ganhos ligados à era da inteligência artificial contribuíram para um aumento nas vendas.
Em termos de preços, a Redfin registra que as cinco áreas classificadas como mercados de vendedores apresentaram alta média de 5,5% no preço de venda ano a ano em agosto, enquanto as áreas em mercados de compradores apresentaram alta média de 1,6% — sinal de que a competição entre compradores continua pressionando preços nas poucas localidades com oferta apertada.
Ao todo, 36 das 49 metrópoles analisadas (Fort Lauderdale foi removida) estavam em situação de mercado de compradores em agosto, e 22 dessas 35 cidades em condição de comprador viram o excesso de vendedores crescer mês a mês. Orlando e Seattle registraram os maiores aumentos mensais na folga entre vendedores e compradores.
O levantamento da Redfin ressalta que o mercado favorável ao comprador vale para quem tem condições de comprar: altos custos de moradia e insegurança econômica continuam levando potenciais compradores a adiarem a compra, o que amplia o desequilíbrio entre oferta e procura observado no relatório.