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Imobiliário

Ações dos EUA se recuperam; rally de tecnologia ganha força com queda do petróleo e dos juros

O mercado acionário dos Estados Unidos registrou forte recuperação, com as ações de tecnologia liderando as altas após recuo dos preços do petróleo e das yields dos Treasuries. O alívio ocorreu um dia após o Federal Reserve elevar a taxa de juros, e repercute diretamente em segmentos ligados ao mercado imobiliário, como construtoras e crédito habitacional.

17 de setembro de 2026 às 20:15
Ações dos EUA se recuperam; rally de tecnologia ganha força com queda do petróleo e dos juros
As bolsas norte-americanas registraram um retorno expressivo ao terreno positivo na quinta‑feira, com as ações de tecnologia puxando as altas após uma combinação de queda no preço do petróleo e de recuo nas yields dos Treasuries — fatores que aliviam parte da pressão provocada pelo recente aumento de juros pelo Federal Reserve. O índice Nasdaq subiu 1,66%, o S&P 500 avançou 1,14% e o Dow Jones Industrial Average registrou alta de 0,61%, encerrando em 26.410,50 pontos, 7.637,90 pontos e 51.774,38 pontos, respectivamente. Entre os papéis com maiores ganhos no dia figuraram Generac Holdings, com alta de 19,15%, Super Micro Computer (9,29%), Moderna (8,58%) e Intel (8,12%). Entre os que mais caíram estiveram Coterra Energy (-8,62%), T‑Mobile US (-5,53%) e DaVita (-5,35%). O movimento de alta ocorreu um dia depois de o Federal Reserve — o banco central dos Estados Unidos responsável pela política monetária — elevar a taxa básica de juros (federal funds target rate). No comunicado, os dirigentes do Fed reafirmaram o compromisso de trazer a inflação de volta à meta de 2%, mantendo aberta a possibilidade de novos aumentos ao longo do ano. A reação positiva dos mercados foi explicada por gestores e analistas como uma reentrada de investidores em setores que haviam sido mais penalizados antes da decisão do Fed. “Estamos vendo interesse nas áreas do mercado que foram atingidas antes desse aumento de juros”, afirmou um gestor ouvido por agências internacionais, indicando compras após a correção dos preços. Dois fatores ajudaram a reduzir o nervosismo dos investidores: o recuo dos preços do petróleo e a queda nas yields dos Treasuries. O petróleo caiu para uma mínima de uma semana após relatos de movimentação de petróleo saudita pelo território de Omã, diminuindo temporariamente o temor de interrupções de oferta. Preços de energia mais baixos costumam aliviar pressões inflacionárias, o que, por sua vez, reduz a necessidade de política monetária mais agressiva. As yields dos Treasuries — que são as taxas de retorno dos títulos do Tesouro americano e servem como referência para juros em geral, inclusive para hipotecas — recuaram, o que trouxe algum alívio para ativos sensíveis a custo de capital. A queda dessas yields tende a reduzir, na ponta, as taxas de financiamento ao consumidor e às empresas, ainda que o processo de transmissão aos juros de hipoteca possa levar algum tempo. No relato dos mercados, a volatilidade medida pelo CBOE Market Volatility Index — conhecido como “índice do medo” — caiu ao menor nível em mais de uma semana após a acomodação dos preços do petróleo. Menos volatilidade costuma favorecer impulsos de compra em ativos de maior risco, como ações de tecnologia e construtoras. Para o setor imobiliário especificamente, a sessão trouxe sinais mistos, mas em geral positivos no curto prazo. Ações de construtoras avançaram depois de dados mostrarem aumento nas novas construções unifamiliares (single‑family housing starts) e nas vendas pendentes de casas (pending home sales) no mês mais recente, indicando demanda ainda resiliente no mercado residencial. A sensibilidade do mercado imobiliário a movimentos de política monetária é alta. Quando o Fed aperta a política e as yields sobem, as taxas de hipoteca (mortgage rates) tendem a subir também. Mortgage é o termo em inglês para hipoteca, ou seja, o empréstimo tomado para comprar imóvel. Em contrapartida, a retração nas yields observada nesta sessão dá algum fôlego a construtoras e compradores potenciais ao aliviar expectativas de alta imediata nas taxas de financiamento. Além das construtoras e das ações de tecnologia, se destacaram no pregão mineradoras de ouro e prata e empresas fabricantes de chips. Bancos, que haviam recuado 2,3% na sessão anterior, estabilizaram. O segmento de ativos relacionados a criptomoedas também se beneficiou: ações ligadas a empresas como Circle Internet Group, Robinhood e Coinbase subiram após um anúncio regulatório que concede uma isenção para negociação de ações tokenizadas por cinco anos — movimento que reforça o interesse por soluções digitais no mercado financeiro. Entre fatos corporativos, CoreWeave anunciou planos de captar recursos via oferta de ações e títulos conversíveis, o que pressionou sua cotação, e Fluence Energy revisou para baixo sua previsão de receita para o exercício fiscal de 2026, levando sua ação a forte queda. Quanto às expectativas futuras, o mercado passou a precificar uma probabilidade de 53,1% de outro aumento de 25 pontos‑base (0,25%) na reunião do Fed de outubro, segundo a ferramenta FedWatch do CME, ante 27,2% uma semana antes. Esse ajuste nas probabilidades mostra que, embora tenha havido alívio pontual, a possibilidade de aperto adicional da política monetária continua a influenciar decisões de investimento. Para investidores e interessados no mercado imobiliário dos EUA, a leitura é dual: no curto prazo, a queda das yields e dos preços do petróleo pode sustentar alguma valorização de construtoras e aliviar o custo de financiamento; no médio prazo, a disposição do Fed em elevar juros para conter a inflação segue como principal risco para a demanda por habitação e para o custo das hipotecas. Em resumo, a sessão de recuperação nas bolsas norte‑americanas trouxe alívio após o ciclo de aperto monetário iniciado pelo Fed, mas a manutenção de tensões geopolíticas e a alta probabilidade de novos aumentos de juros mantêm incertezas que podem afetar, entre outros setores, o mercado imobiliário e o crédito habitacional nos Estados Unidos.

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