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Imobiliário

David Einhorn afirma que jovens são 'impacientes' para construir patrimônio ou comprar casa nos EUA

O bilionário David Einhorn atribui a dificuldade dos jovens americanos em conquistar a casa própria a uma suposta impaciência e preferência por investimentos especulativos. Especialistas apontam também fatores estruturais, como taxas hipotecárias elevadas e preços altos dos imóveis.

17 de setembro de 2026 às 18:26
David Einhorn afirma que jovens são 'impacientes' para construir patrimônio ou comprar casa nos EUA
O gestor bilionário David Einhorn voltou a suscitar debate sobre moradia e formação de patrimônio ao afirmar, em participação recente em um programa do Morgan Stanley, que muitos jovens nos Estados Unidos estariam sendo “impacientes” e priorizando a especulação financeira em vez de poupar para a compra de uma casa. Einhorn, fundador da Greenlight Capital, disse que percebe uma mudança de “filosofia” entre as novas gerações: “Eu sinto que a geração mais jovem é simplesmente mais impaciente. Eles preferem, você sabe, especular em cripto, especular em ações ou apostar em eventos esportivos e tentar construir riqueza adivinhando essas coisas corretamente”, afirmou na conversa. O investidor ressaltou que alguns jovens até conseguem êxito com estratégias especulativas, mas que, de modo geral, faltaria disciplina para assumir compromissos de longo prazo, como quitar uma hipoteca ao longo de 30 anos. “Comprar uma casa e pagar a hipoteca em 30 anos requer paciência e disciplina de longo prazo, e isso pode estar em falta”, disse Einhorn. Hipoteca é o termo em inglês mortgage, que se refere ao empréstimo utilizado para comprar um imóvel; normalmente envolve pagamentos mensais que combinam amortização e juros durante um prazo — nos EUA, um prazo comum é de 30 anos. Taxas de hipoteca mais altas reduzem o poder de compra do comprador, pois elevam o custo mensal da dívida. A crítica do investidor se insere em um contexto em que a participação de jovens na propriedade residencial vem caindo, em parte devido a fatores macroeconômicos e de mercado. A taxa média do mortgage de 30 anos, uma referência importante para financiamentos imobiliários nos EUA, subiu para 6,76% na semana mais recente mencionada, segundo dados citados na discussão — um nível que encarece significativamente os custos de financiamento. Além das taxas, o mercado de trabalho também influencia a capacidade de adquirir imóveis: posições iniciais muitas vezes oferecem salários e benefícios menos atraentes, dificultando a formação de poupança para entrada e a qualificação para empréstimos. Dados comparativos sobre coorte geracional mostram que, em 2025, 38% dos integrantes da Geração Z com 28 anos possuíam casa própria, contra 42% dos membros da Geração X e 44% dos baby boomers quando tinham a mesma idade. Entre os millennials de 36 anos, a taxa de propriedade foi de 57% no último ano, versus 61% da Geração X e 63% dos boomers nessa faixa etária. Esses números evidenciam uma defasagem persistente na participação dos jovens no mercado imobiliário. A sensação de exclusão do mercado residencial tem impulsionado outro fenômeno: o crescimento do investimento de varejo — isto é, aplicações realizadas por pequenos investidores individuais, muitas vezes por plataformas online. Um relatório do JPMorganChase Institute, citado na discussão, apontou que 37% dos jovens de 25 anos adicionaram recursos a contas de investimento de varejo no ano indicado, um aumento de seis vezes em relação à década anterior. Os retornos de diferentes classes de ativos também exercem papel na escolha das novas gerações. Nos últimos dez anos, o índice de preços de casas S&P Case-Shiller US National Home Price Index avançou 85%, enquanto o S&P 500 subiu 253% no mesmo período. Em termos relativos, ações e outros ativos de risco apresentaram ganhos mais rápidos, o que pode atrair investidores jovens em busca de valorização acelerada, mesmo assumindo maior volatilidade. Einhorn também comentou a mudança de atitudes frente à decisão entre alugar e comprar. Para alguns jovens, alugar pode ser uma opção mais barata no curto prazo quando comparada ao custo mensal de uma hipoteca — especialmente em mercados com preços elevados e juros altos —, levando-os a questionar por que arcar com “dinheiro extra” para construir patrimônio via imóvel. Críticos da visão de que a “impaciência” seria a causa principal alertam para o risco de simplificar um problema complexo. A conjugação de preços dos imóveis em patamares altos, custos de financiamento elevados, mercado de trabalho fragmentado e requisitos de entrada (como entrada mínima e padrões de crédito) formam barreiras reais que não se resolvem apenas com disciplina financeira. Especialistas em políticas habitacionais e economistas apontam que soluções demandam atuação pública e privada: ampliação da oferta de moradias a preços acessíveis, programas de subsídio para entrada, produtos de crédito adaptados a carreiras não lineares e formação financeira são medidas frequentemente citadas. Ao mesmo tempo, o apetite por investimentos alternativos e a cultura de risco jovem também são fenômenos legítimos, impulsionados por tecnologias que facilitam o acesso a mercados de capitais e informação em tempo real. A discussão provocada pelas declarações de Einhorn traz à tona um ponto relevante para brasileiros interessados no mercado imobiliário dos EUA: além da análise pessoal de disciplina e preferência por risco, há um conjunto de condicionantes macro e institucionais que moldam a capacidade de jovens comprarem casas e formarem patrimônio em longo prazo. Para investidores e interessados no tema, é essencial distinguir entre comportamento individual e fatores estruturais do mercado. A decisão sobre comprar ou alugar, investir em ações ou poupar para entrada, envolve trade-offs de liquidez, risco e horizonte temporal — além de ser influenciada por taxas de financiamento e políticas que afetam a oferta de habitação. Enquanto isso, o debate segue, com vozes que atribuem a responsabilidade à cultura vigente e outras que apontam para determinantes econômicos mais amplos. O consenso entre economistas é que não existe uma solução única: a recuperação da participação jovem na propriedade residencial dependerá tanto de mudanças nas condições de mercado quanto de escolhas individuais mais alinhadas a objetivos de longo prazo.

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