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Imobiliário

Inícios de construção nos EUA recuam e perspectiva fica negativa até 2027 com alta de custos

Dados do Censo e do HUD mostram redução de 2,6% nos inícios de construção em agosto, com multifamily caindo 21,7% e single-family subindo 7,6% no mês. Economistas revisam previsões para 2026–2027 diante de custos em alta, escassez de mão de obra e incentivos para reduzir juros.

17 de setembro de 2026 às 23:13
Inícios de construção nos EUA recuam e perspectiva fica negativa até 2027 com alta de custos
Os inícios de construção residencial nos Estados Unidos apresentaram nova deterioração em agosto, e a perspectiva para o setor foi revisada para baixo por economistas que citam custos crescentes e escassez de mão de obra especializada. Dados divulgados pelo U.S. Census Bureau e pelo Department of Housing and Urban Development (HUD) registraram uma queda de 2,6% em inícios de construção total em agosto, para uma taxa anual ajustada sazonalmente de 1,275 milhão de unidades. Esse número ficou 1,2% abaixo da taxa de agosto de 2025, que era de 1,291 milhão de unidades. A dinâmica entre segmentos foi desigual. Enquanto os inícios de moradias unifamiliares (single-family) cresceram 7,6% no mês, alcançando uma taxa anual de 918 mil unidades, os inícios do segmento multifamily — prédios com múltiplas unidades residenciais — retraíram-se 21,7% em agosto. No acumulado entre janeiro e agosto, porém, os single-family estão 4,9% abaixo do mesmo período de 2025, sinalizando uma desaceleração na cadência de construção. As conclusões do relatório destacam também uma queda nas entregas de imóveis (completions), que são as unidades que entram imediatamente no mercado de venda ou locação. As completions totais recuaram 11,9% em relação a julho, para uma taxa anual de 1,128 milhão de unidades, e estão 27,1% abaixo do nível de agosto de 2025 (1,548 milhão). As completions de unifamiliares reduziram-se para 816 mil unidades anuais, uma queda de 10,4% em relação a julho (911 mil). O estoque de unidades em construção também diminuiu: o total de moradias em obras caiu 3,2% na comparação anual, com queda ano a ano também registrada nas unifamiliares em construção. Especialistas e associações do setor têm revisto previsões feitas anteriormente. Em fevereiro, a National Association of Home Builders (NAHB) previa alta de 1% nos inícios em 2026 e esperava que as taxas hipotecárias recuassem para abaixo de 6% de forma consistente em 2027, o que poderia liberar demanda represada. Desde então, choques geopoliticos — citada no material como a guerra no Irã — impulsionaram alta das taxas e reduziram a confiança do consumidor. Diante desse cenário, as projeções divergiram. Michael Guckes, economista-chefe da ConstructConnect, projeta uma queda de 5,9% nos inícios unifamiliares em 2026. Selma Hepp, economista-chefe da Cotality, revisou para baixo suas estimativas, prevendo queda de 2% em 2026 e 4% em 2027. Em contraste, a previsão econômica do U.S. Bank manteve uma leitura mais estável, projetando inícios em 1,36 milhão para 2026 e recuo marginal para 1,35 milhão em 2027 e 2028. Na avaliação de analistas do setor, vários fatores comprimem a atividade: custos de materiais em alta, aumento do custo de captação para os próprios construtores e carência de trabalhadores qualificados. "Single-family construction showed some life in August, but builders aren’t stepping on the gas just yet. New-home inventory remains elevated, affordability is still keeping buyers on the sidelines and incentives are doing much of the work to generate sales. Until demand strengthens more convincingly, builders will continue to manage the construction pipeline cautiously", afirmou o economista-chefe da First American, Mark Fleming. Kenny Lee, economista sênior da Zillow, também destacou que incorporadoras têm respondido ao mercado mais fraco com concessões (incentivos) e projetos menores, e que expectativas de taxas hipotecárias mais altas, além do aumento nos custos de materiais e na falta de mão de obra, têm pesado sobre o sentimento do setor. Uma mudança estrutural citada por economistas é o crescente uso de buy-downs nas vendas de novas moradias: Selma Hepp informou que entre 80% e 90% das vendas de novas casas agora dependem de buy-downs de taxa. Um buy-down é um mecanismo em que o vendedor, construtor ou outro agente subsidia parte da taxa de juros do financiamento (mortgage) do comprador para reduzir temporária ou permanentemente o custo do empréstimo, ajudando a viabilizar a compra diante de juros mais elevados. Mortgage, em inglês, refere-se ao financiamento imobiliário garantido pelo imóvel. O relatório do setor e as projeções revisadas sinalizam que, enquanto as condições de demanda e custos não mudarem de forma robusta, os construtores devem seguir administrando com cautela a velocidade de início e entrega de novas unidades. Para investidores e compradores brasileiros acompanhando o mercado dos EUA, a leitura atual indica um ambiente com oferta controlada, custos de construção pressionados e ampla dependência de incentivos para fechar vendas. Observações sobre taxas: o material também registra que as taxas hipotecárias ficaram acima de 7% em recente movimento do mercado, influenciadas por alta nos rendimentos do Treasury de 10 anos (título público de referência nos EUA). O rendimento do Treasury de 10 anos é frequentemente usado como referência para formar expectativas sobre as taxas de longo prazo, incluindo as hipotecas. Em resumo, os dados de agosto e as revisões de previsão mostram um mercado de construção residencial que tenta se ajustar a um cenário de custos mais elevados, juros persistentes e procura contida, com impacto mais severo no segmento multifamily e gerenciamento cauteloso por parte dos construtores no segmento unifamiliar.

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