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Ofertas no mercado de capitais caem 16% em um ano, diz Anbima

Em agosto, ofertas encerradas no mercado de capitais somaram R$ 48,8 bilhões, recuo de 16% frente a agosto de 2025. Debêntures seguiram como principal instrumento, enquanto fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) cresceram de forma expressiva e compensaram parte da desaceleração de FIIs.

16 de setembro de 2026 às 15:17
Ofertas no mercado de capitais caem 16% em um ano, diz Anbima
As ofertas encerradas no mercado de capitais brasileiro totalizaram R$ 48,8 bilhões em agosto, montante 16% inferior ao registrado no mesmo mês de 2025, quando somaram R$ 58 bilhões, segundo dados divulgados pela Anbima. Na comparação com o mês anterior, houve movimento de realocação entre os instrumentos de captação: debêntures e fundos imobiliários perderam fôlego, enquanto veículos lastreados em recebíveis avançaram. As debêntures continuaram sendo o principal canal de captação do mercado, com R$ 21,5 bilhões movimentados em agosto. Apesar de representarem 44,1% do total das emissões no mês, o volume foi 35,2% inferior ao de julho. Os fundos de investimento imobiliário (FIIs) apresentaram forte desaceleração, com captações próximas de R$ 5,1 bilhões em agosto — menos da metade dos R$ 11,7 bilhões registrados em julho, mês em que os FIIs haviam alcançado o melhor resultado mensal do ano até então. Na direção oposta, os fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) ampliaram sua participação e ajudaram a sustentar a atividade do mercado. As emissões de FIDCs somaram cerca de R$ 14,5 bilhões, o segundo maior volume mensal de 2026. Esse valor representa alta de 116% em relação aos R$ 6,7 bilhões de julho e aumento de 146,3% contra os R$ 5,9 bilhões verificados em agosto de 2025. No acumulado do ano, as captações por meio de FIDCs já ultrapassaram R$ 74 bilhões. Para Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima, os números de agosto sinalizam uma mudança no perfil das emissões. Segundo ele, embora as debêntures sigam liderando, há uma tendência de crescimento dos instrumentos vinculados a recebíveis, que passam a responder por fatias maiores das captações e contribuem para a manutenção do volume de ofertas. Maranhão relaciona o avanço dos FIDCs a uma maior seletividade na concessão de crédito. Em um ambiente em que as instituições financeiras adotam critérios mais rígidos, afirma ele, títulos lastreados em recebíveis permitem às empresas ajustar prazos, garantias e fluxos de pagamento às suas necessidades, o que explica parte do impulso observado ao longo do ano. Outros instrumentos lastreados em recebíveis também registraram alta mensal. Os certificados de recebíveis imobiliários (CRIs) somaram cerca de R$ 2,4 bilhões em emissões, aumento de 32,5% sobre julho. Já os certificados de recebíveis do agronegócio (CRAs) movimentaram aproximadamente R$ 2,2 bilhões, quase o triplo dos R$ 776,8 milhões registrados no mês anterior. Entre os instrumentos híbridos, os fundos de investimento em cadeias agroindustriais (Fiagros) captaram cerca de R$ 1,4 bilhão — um volume 26 vezes superior ao de agosto de 2025. No balanço acumulado entre janeiro e agosto, as emissões domésticas totalizaram aproximadamente R$ 485 bilhões, 7,1% a mais do que no mesmo período do ano anterior. O desempenho reflete, segundo analistas de mercado, tanto a reconfiguração das preferências por tipos de ativos quanto ajustes por parte de emissores e investidores às condições de crédito e liquidez. Em resumo, agosto mostrou um mercado de capitais em processo de recomposição: debêntures mantêm a liderança, mas instrumentos lastreados em recebíveis ganharam participação relevante, impulsionados por maior seletividade de crédito e pela busca de estruturas que melhor casem prazos e garantias com as necessidades das empresas. Essa dinâmica ajudou a sustentar o volume de emissões do mês, apesar da queda anual registrada.

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