O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (19) que nomeará em breve um "czar" da inteligência artificial (IA) e anunciou a criação de uma "Força de IA", sem, no entanto, detalhar composição ou atribuições da nova estrutura. A mensagem foi publicada em sua rede social, Truth Social.
Na postagem, Trump disse que o governo não pretende "impedir ou frear o desenvolvimento" da tecnologia. Segundo ele, eventuais irregularidades relacionadas à IA podem ser tratadas pelas leis civis e criminais já existentes. O presidente também declarou que pretende "valorizar, apoiar e garantir" o crescimento da indústria.
Trump comparou a iniciativa à criação da Força Espacial (Space Force), órgão que foi instituído durante seu primeiro mandato. Também afirmou que a inteligência artificial pode chegar a representar 25% do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos, sem apresentar prazo ou fonte para essa estimativa.
A manifestação do presidente ocorre em meio a um debate intenso sobre o ritmo de avanços dos sistemas de IA. Executivos do setor, como Dario Amodei, chefe-executivo da Anthropic, defenderam recentemente a redução do ritmo de avanço dos modelos para ampliar medidas de segurança. Líderes de outras empresas importantes do setor, como Sam Altman, da OpenAI, e Elon Musk, da xAI, também chegaram a manifestar apoio a uma desaceleração.
Trump, por sua vez, tem rejeitado esses pedidos por desaceleração e voltou a ressaltar a importância dos data centers — instalações que concentram a infraestrutura computacional usada no desenvolvimento e operação de sistemas de IA. O presidente afirmou que esses centros geram salários mais altos, arrecadação e benefícios para as comunidades onde são instalados.
A expansão dos data centers tem, porém, intensificado discussões nos Estados Unidos sobre consumo de energia e sobre quem deve arcar com os investimentos necessários na infraestrutura elétrica para atender à nova demanda.
Na quarta-feira (16), a Câmara dos Representantes aprovou por 417 votos a 3 o chamado Ratepayer Protection Act, projeto que determina que reguladores estaduais considerem se grandes consumidores de energia, incluindo data centers, devem pagar pelos custos adicionais da infraestrutura elétrica necessária para atendê-los. Trump afirmou que discute o avanço da proposta com o líder da maioria republicana no Senado, John Thune.
A função informal de "czar" da IA já existiu no governo anterior. David Sacks deixou em março o posto de responsável da Casa Branca por políticas de IA e criptomoedas após encerrar seu período como funcionário especial do governo e passou a atuar como copresidente do Conselho de Assessores de Ciência e Tecnologia da Presidência. Trump não informou quem pretende nomear agora para o cargo.
O presidente também citou a competição tecnológica com a China, afirmando que os Estados Unidos estão "à frente da China e do restante do mundo" e que pretende manter essa liderança. O tema da inteligência artificial consta nas conversas entre Washington e Pequim antes do encontro já agendado entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, marcado para 24 de setembro em Washington.
Em suas publicações, Trump chegou a classificar "IA" como um termo impreciso e sugeriu outros nomes em sua rede social, como "Inteligência Superior" ou "Inteligência Suprema". Além disso, descreveu a IA como "a próxima Revolução Industrial, ou a próxima internet", afirmando que terá impacto ainda maior.
Apesar das declarações e das iniciativas anunciadas, o presidente não apresentou detalhes operacionais sobre a "Força de IA" ou o perfil do futuro "czar", nem forneceu fontes para a estimativa de participação da IA no PIB. As posições do setor privado sobre a necessidade de reduzir o ritmo de desenvolvimento divergem das afirmações do governo a favor de acelerar e apoiar a expansão da indústria.
As anunciadas ações presidenciais e as votações no Congresso refletem um debate mais amplo nos EUA sobre como equilibrar inovação, segurança, infraestrutura e custos regulatórios associados ao crescimento da inteligência artificial.