O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, receberá o presidente da China, Xi Jinping, em Washington em uma visita de Estado que inclui uma agenda diplomática e econômica intensa, além de um jantar de Estado no qual devem participar executivos de grandes empresas de tecnologia.
Segundo o roteiro divulgado pela Casa Branca, Xi e sua esposa, Peng Liyuan, desembarcarão na Base Conjunta de Andrews, nos arredores de Washington, onde serão recebidos por Trump e sua esposa. A chegada será seguida por uma cerimônia de boas-vindas — um evento incomum quando realizado em uma base militar — e por uma cerimônia militar no Rose Garden antes da reunião bilateral do dia 24. À noite, o casal presidencial oferecerá um jantar de Estado no East Room, no qual ambos devem fazer discursos.
A preparação para as conversas de alto nível envolve autoridades comerciais e financeiras: o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, deve se encontrar com autoridades chinesas em Nova York antes da chegada de Xi, enquanto o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, têm reuniões previstas para pavimentar o encontro entre os presidentes. Em termos práticos, o Departamento do Tesouro (Treasury, no inglês) é o órgão americano responsável pela política econômica e financeira e pela execução de medidas fiscais e de gestão de dívida do governo.
A agenda bilateral deverá enfocar negociações comerciais, com esforço para reduzir tarifas sobre produtos energéticos e agrícolas americanos. Relatos apontam que as conversas fazem parte de uma iniciativa mais ampla para reduzir barreiras sobre cerca de US$ 30 bilhões em produtos considerados menos sensíveis de cada lado, como previsto por um acordo firmado na cúpula anterior entre os líderes.
A inteligência artificial (IA) está destinada a ocupar papel central no diálogo. EUA e China seguem como as principais potências na corrida por avanços em IA, e o ritmo de desenvolvimento da tecnologia é tema sensível: há apelos para moderação diante de riscos associados à perda de controle, mas o governo americano teme que uma desaceleração permita à China ganhar vantagem. Em razão disso, empresas como OpenAI, Anthropic, Google e outras são tratadas como atores estratégicos em meio à competição. As mesmas empresas também aparecem em reportagens recentes envolvendo ações judiciais e debates públicos sobre governança da tecnologia.
Embora Washington tenha tentado conter avanços chineses em IA limitando exportações de chips avançados — em especial semicondutores da Nvidia — a expectativa é que uma ampla desaceleração global da IA ou a implementação de salvaguardas em escala mundial não sejam prováveis resultados imediatos do encontro.
A visita também traz a possibilidade de delegações econômicas e empresariais acompanhando o líder chinês. Representantes da Cofco, empresa estatal chinesa de comércio de alimentos, podem integrar a comitiva, o que indica a importância da pauta agrícola. Mais de uma dezena de empresas estão sendo consideradas para compor uma delegação de CEOs; a presença de nomes ligados à BYD foi mencionada entre as opções avaliadas, embora não haja confirmação final sobre a lista completa.
Entre os executivos esperados para o jantar de Estado estão nomes de destaque do setor de tecnologia: Sam Altman (OpenAI), Jensen Huang (Nvidia), Cristiano Amon (Qualcomm) e Tim Cook (Apple). Também estariam na lista Jeff Bezos (Amazon), Elon Musk (SpaceX e Tesla) e Sundar Pichai (Google). A presença desses líderes em um evento oficial do governo americano é incomum e ressalta o papel que o setor privado deverá ter nas conversas sobre tecnologia e investimento.
Durante uma visita anterior de Estado, Trump levou uma delegação de mais de uma dezena de CEOs à China, entre eles Jensen Huang e Elon Musk; na ocasião, os executivos se reuniram com autoridades chinesas e o próprio Xi afirmou que empresas americanas “estão profundamente envolvidas na reforma e abertura da China”.
Na sequência das atividades oficiais em Washington, está programado um chá privado na Casa Branca e uma visita aos Arquivos Nacionais, onde os visitantes irão ver documentos históricos dos EUA no ano em que o país celebra seus 250 anos. Ao final das cerimônias, Xi seguirá para a Base de Andrews antes de deixar Washington.
O encontro entre os dois líderes chega em um momento de cautela e pragmatismo: há espaço para avanços em áreas como comércio agrícola e energia, mas as divergências em tecnologia estratégica e segurança continuam substanciais. Com isso, tanto os resultados concretos nas negociações quanto o papel dos líderes do setor privado na visita permanecem pontos de atenção para observadores internacionais e investidores.